Mudamos
10 ago 2011 1 Comentário
em Apresentação
Mudamos para: vidademada.wordpress.com
Dia desses me deu um estalo de que deveria ter um blog para chamar de meu em vez de ficar escrevendo minhas coisas no que seria o chá de bebê do Lourenço.
Isso ficou muito forte na primeira vez em que eu saí de casa sem ele.
Foram só 15 minutos na farmácia da esquina. Ele ficou com a minha tia e com a minha cunhada, que é médica. Mesmo assim, eu me senti culpada porque gastei 45 segundos extras escolhendo um esmalte.
Ok, não foi bem uma saída mas foi simbólico. E agora eu tenho esse espaço para falar de tudo, inclusive do Lourenço.
Este blog continua no ar, como arquivo do blog novo.
A participação de vocês continua sempre bem vinda demais da conta.
Para acreditar em milagres
08 ago 2011 1 Comentário
em Memórias dispersas, Reflexões Aleatórias
Eu queria muito acreditar em milagres. E, de tanto querer, ganhei um milagre só para mim. Ele é feito de amor e de lágrimas, em doses tão colossais quanto inexplicáveis, e virou dono de um sorriso sem fim, sem hora e sem limite.
Uma vez, voltando para casa em Talatona, fui me meter a tirar uma foto de uma mulher que vendia milho na brasa na beira de casa, num mu seke. Só depois, muito depois, quando passei a foto para o computador, vi que tinha uma criança pendurada no peito dela.
Fiquei pensando que para ela os milagres não existem. Mas, na verdade, eu não sei de nada.
Os milagres existem para quem acredita neles, acontecem para quem consegue ver quando eles aparecem no meio de um dia-a-dia cinza ou dos desesperos de perdição.
Talvez o milagre seja quando a gente realmente acredita que ele existe, então é que ele acontece, só dentro de cada um, de cada alma de cada gente, por razões compreensíveis ou não e, na maior parte das vezes, muito pouco grandiosas.
O riso do filho da gente olhando no nosso olho é um milagre capaz de se repetir diversas vezes ao dia. Porque talvez só um milagre desses mais legítimos mesmo tenha a capacidade tão absoluta de iluminar o coração.
Ai, ai…
01 ago 2011 1 Comentário
em A vida como ela é: nós e os bebês
Às vezes ele fica tão irresistível que eu nem consigo falar nada.
E nem preciso, né?
Salve, Ronnie!
28 jul 2011 1 Comentário
Desde que soube da existência do Lourenço, minhas noites tradicionais foram substituídas por um combo regado a água e/ou refrigerante e/ou chá, incluindo coisas como filmes, computador e, mais recentemente, o programa do Ronnie Von.
Eu amo de paixão gente que faz a phyna mas que, lá no fundo, enrolado num lenço Hermès novinho, tem aquele seu lado esculhambação aceso e bem humorado.
E, nesse sentido, quando a gente acha impossível amar mais o Ronnie Von, ele surpreende bem na noite do futebol e samba na cara de todas, até das brigas conjugais do SuperPop.
Eu estava só zapeando e aí achei que era sonho: um quadro de conselhos sentimentais, o mesmo do célebre “Significa by Ronnie Von”, com a presença de Max Fivelinha e Paulo Maluf.
Quase caí da poltrona. Lourenço até ficou quieto. Eduardo Sabiá, via Facebook, abandonou Luciana Gimenez e se dedicou a esses minutos de engrandecimento.
Não é possível descrever só com palavras esse momento único, mas uma frase de doutor Paulo dá a dimensão do que você perdeu se não viu isso: “Passar mulher para trás é fácil, difícil é passar para frente”.
Eu queria muito poder dedicar essa frase mas, infelizmente, não é todo mundo que tem grandeza espiritual suficiente para entender essas coisas elevadas.
O morno e a coragem
25 jul 2011 Deixe um comentário
Existe algo pior que o mal, o mau, o feio. É o medíocre. Zanzando internet afora, encontrei esse texto do Fábio Campana. Ok, é um tanto sombrio e, para mim, o personagem tem nome e sobrenome. Mas não importa, leva a refletir.
Realmente, não há pior canalha que o pequeno canalha, aquele que se torna ruim não por intenção mas pelo acúmulo de pequenas covardias, a sobreposição de atitudes mesquinhas, a fuga na hora de decidir.
Acho que toda mãe quer que o filho seja bom e, principalmente, que não seja ruim. Mas a gente não pensa assim, imediatamente, no perigo da mediocridade, da falta de ação, da covardia.
Se nem todo canalha é covarde, todo covarde é canalha e, necessariamente, dessa espécie mais medíocre que há, capaz de pisar na cabeça dos outros para garantir o pouco, o pequeno, o insignificante e passar ao largo dos grandes sofrimentos e amores da vida.
Só vive quem tem coragem de viver. Quem não escapa aos sofrimentos e amores. Quem ri e quem chora o que há para rir e chorar. Quem celebra as conquistas e arca com o ônus dos passos em falso.
Para dizer que está vivo, a gente tem que se orgulhar de cada atitude, de cada vitória, de cada queda, de cada volta por cima. Tem que olhar para trás e ver que não deixou contas em aberto nem ninguém pisoteado.
E aí vem a questão: como é que se educa alguém para ter coragem? Para beber a vida de uma golada só em vez de deixar esfriar em golinhos tímidos?
Eu ainda não sei. Caso alguém descubra, favor avisar.
Transmissão de pensamento
22 jul 2011 1 Comentário
E foi escrever um post chamado de Super Mulher que surge, lá do meu passado, o Rodrigo Max com uma foto minha vestida de mulher maravilha.
Eu lembro desse dia. Impliquei com a capa vermelha porque queria azul, mas minha mãe me deixou colocar maquiagem e eu sosseguei. O suco de uva vazou na minha lancheira jeans. Eu estava com uma galocha branca perolada, que eu amava e ficava mostrando para todo mundo.
Quase não tenho fotos da minha infância. Cada uma que surge vira inesquecível.
Bebês na fila
22 jul 2011 Deixe um comentário
em A vida como ela é: nós e os bebês
Não existe atendimento preferencial para pessoas com crianças de colo. Não é a rotina. É caso de uma boa alma ou outra resolver fazer a pessoa passar na frente.
Em restaurante, tudo depende de quem te atende gostar ou não de criança. Se as pessoas entram no efeito cuti-cuti, é lindo. Mas tem gente que olha o carrinho do bebê como se fosse um pônei com sarna descendo de um ovni com o cadáver do Michael Jackson.
Grávida tem dificuldade de esperar pelo desconforto. Com bebê, o problema é que ele não pode ficar em ambientes fechados cheios de gente e vai chorar exigindo mamar na hora que bem entender.
Tive duas experiências: Caixa Econômica Federal e agência do INSS.
No INSS tem hora marcada e eles procuram facilitar a vida das várias mães. Mas eu cheguei cedo e tive de amamentar durante o atendimento. De qualquer maneira, achei ótimo, fácil, tranquilo.
Na Caixa, é terror e pânico, tanto na área de benefícios como na agência mesmo.
Aos 9 meses de gravidez esperei uma hora para ouvir que precisava voltar dali a dois meses e, mesmo tendo um bebê pequeno, só podia ser pessoalmente.
Voltei. Um drama para entrar com o carrinho de bebê. Não tem fila preferencial e queriam que o Lourenço, com um mês, ficasse numa sala fechada lotada de gente tussindo. Uma alma boa arrumou um lugar para o meu primo Daniel ficar com ele.
Esperei uma hora. Tive que amamentar na agência. Aí, a novidade linda: disseram que eu precisava voltar de novo. Como eu gritei um palavrão, disseram que tinha fila preferencial.
Voltei. De novo a novela para entrar o carrinho. A “fila preferencial” demorou uma hora. E, dessa vez, o pessoal ainda xingava porque a gente era atendido rápido demais.
A Caixa Econômica Federal é um banco, lucra zilhões às custas das pessoas que trata como gado. Eu sou uma delas.
Um milhão de amigos
21 jul 2011 Deixe um comentário
em Anjos do dia, O nosso dia-a-dia
Hoje é dia do amigo e nós, Lourenço e eu, fomos agraciados com uma força de amor e amizade que vale por um milhão de amigos, vinda de todos os lados e de todos os tipos de laços.
É graças aos amigos que estamos bem. Graças a eles que, seja em Angola ou no Brasil, temos coisas como um teto, comida, transporte e atendimento médico.
Os amigos que, pessoalmente e pela internet, fizeram todo o enxoval do Lourenço, das coisas pequenas às maiores.
E são eles também que me ouviram nos piores momentos, deram conselho ou um ombro mesmo, me fizeram distrair, me fizeram recuperar o sorriso e me emocionam todos os dias.
Nunca vou saber como agradecer todos os amigos, inclusive os da família. Queria acreditar, mas não acredito que família seja obrigatoriamente um laço de amor.
Amor de verdade só cresce em terreno onde há generosidade e coragem. E eu tenho a sorte de viver nele.
A super mulher
20 jul 2011 Deixe um comentário
Achei que, quando fosse mãe, deixaria de gostar de sapatos, de maquiagem, de joias, de decoração, de culinária, de política, de comunicação, de análises sociais, de Direito, de idiomas, de viagens, de tudo o que me fazia ser não-mãe.
Sobrariam só as crianças, meus projetos para crianças e as grandes causas da humanidade.
Não foi assim.
Hoje vejo com distância eu mesma meses atrás. Acho engraçado como dei importância a coisas pequenas, muitas delas, durante muito tempo.
Virar mãe não muda o que a gente gosta, muda a importância que dá a cada coisa. E as coisas e pessoas precisam importar o tanto exato que fazem história na nossa vida.
Parece agora estranho o tanto que a gente é capaz de se envolver emocionalmente com a rotina do jornalismo diário, instável como as ondas e volátil como o serviço doméstico que está de novo por fazer assim que acaba de ser feito.
Também parece estranho que eu tivesse tão pouca capacidade de avaliar a intensidade dos meus laços com muitas das pessoas que me cercavam.
Importa o que ficou de mim, as pessoas que ficaram, as que chegaram, a carreira que eu construí, as habilidades novas que ganhei, os princípios que eu não deixei serem engolidos no dia-a-dia.
Mas ainda adoro sapatos.
Hoje, Lourenço usou seu primeiro par de sapatos. De um jeito que só poderia com essa mãe que o mundo resolveu lhe dar.
Um poema de presente
19 jul 2011 Deixe um comentário
em Anjos do dia, O nosso dia-a-dia
Queria escrever e não posso. Nem preciso. Posso deixar para outro dia. Hoje a poesia do Poeta Álvaro Alves de Faria iluminou minha noite, meus olhos, meu coração, minha alma.
poema para a amiga e o menino da amiga
lourenço é uma estrela que nasceu na palma da mão,
quando a manhã era ainda uma planície,
depois as nuvens cobriram o quintal de uma luz azul
como aquela que a gente guarda na palavra que esqueceu.
vejo a amiga atravessar o silêncio
e a guardar ausências nas asas de um anjo:
guardo em mim a porcelana do beijo que não dei
e a água quase verde do rio tejo,
onde molho os pés para sentir que estou vivo.
há uma estrela dentro do seu coração,
esse pequeno girassol que mora em você:
guarde esse sorriso para sempre,
o futuro haverá de ser melhor
a.23:16, dia 17.7.2011




